Melhores amigos: Adam e Ben. Eles vivem disputando meu amor, se eu colocasse só um aqui, ia sair pancada pra todo lado.
Inimigos: Declan, óbvio. E o Chris.
Não precisava que o Lucas falasse algo ou fizesse qualquer outra expressão. Eu era sonhadora e romântica, mas não era idiota. Nesses momentos, ninguém gosta de ficar lembrando de ex. Ele não estava falando das ex dele, talvez ele nunca tivesse namorado. Talvez esteja esperando a garota certa - adoraria que fosse eu - ou talvez ele não esteja pronto pra namorar. Ok, chega de talvez. Esses pensamentos de ilusão saem automaticamente. Ainda bem que ficaram só em pensamentos, seria constrangedor eu falar isso alto.
“Nem todos.Alguns são diferentes”, poxa, assim ele não ajuda no lance de não me iludir. Apesar que ele só precisa ser ele que eu já fico derretida.
Não ia mais falar do Ben. Eu estava ali com o Lucas, e aquilo importava mais do que qualquer coisa. Principalmente por causa dos beijos que ele me dava, cada vez mais intensos. Sentia sua mão passeando pelo meu corpo, e aquilo me arrepiava. Droga de mesa que tava no meio do caminho. Era o momento perfeito com o garoto perfeito - eu acho. Mesmo assim, sempre tem algo que me atrapalha nesses momentos. Meu celular tocou.
- Desculpa. - Falei, um pouco sem graça. Vi que era o despertador, me avisando que eu tinha compromisso em quinze minutos. - Desculpa Luc, é que eu marquei com umas meninas de fazer grupos de estudos na biblioteca. To péssima em Física e preciso melhorar. Você não se importa se eu for, né? - Falei, realmente lamentando ter de deixá-lo ali e esperando que ele não ficasse chateado comigo por isso. - A gente pode marcar alguma coisa pro final de semana. Lá fora ou aqui na S.A. mesmo. - Queria compensá-lo por não poder ficar mais tempo ali e, principalmente, porque eu mesma não queria que aquilo acabasse ali.
Nem sei se eu tenho aula agora ou não. Ou se tá de tarde ou de manhã. Nesses momentos eu não penso em mais nada. Eu tô beijando uma guria, pensar pra quê? Pensar sempre piora, tu tem que concentrar no que tá fazendo e aproveitar o momento. Aprendi isso da pior maneira possível. Ainda não consigo acreditar que o Adam é virgem. Não por ele ser extremamente lerdo e sem jeito com tudo, porque isso já é óbvio. Só não sei como ele consegue viver assim. Sei lá. É uma necessidade, acho que se eu ficasse sem eu ia pro hospital.
“Desculpa.” A Ana falou, parando o beijo. Caralho. As meninas sempre fazem isso também. Parece um mecanismo de defesa. Os celulares devem vir com esses despertadores ninfomaníacos que sempre tocam na hora errada. Que merda.
“Desculpa Luc, é que eu marquei com umas meninas de fazer grupos de estudos na biblioteca. To péssima em Física e preciso melhorar. Você não se importa se eu for, né?” Física? Física ajuda em quê na sua vida? A gente vai pra faculdade de artes ou alguma coisa assim, nunca mais vamos ouvir falar de física.
- Não, claro que não. Tudo bem. - Tentei fazer uma cara de compreensivo. Duvido nada que seja desculpa pra sair correndo. Parece que as garotas ficam com medo do cara querer estuprar elas, sei lá. É a única coisa que vem na minha cabeça que faz sentido. Ou quer se fazer de difícil. É ridículo isso de se fazer de difícil, se tu tá a fim do cara e ele de você, tem mais é que aproveitar.
“A gente pode marcar alguma coisa pro final de semana. Lá fora ou aqui na S.A. mesmo.” Ela tá achando que a gente vai brincar de namoradinho ou o quê? Eu posso até sair com ela de novo, mas só se for pra ir pra fase dois. Tá muito enganada se acha que eu vou sair de mãozinha dada por aí. Eu, hein. Credo.
- Pode deixar, depois a gente marca. - Espreguicei, com um pouco de sono. Tenho aula do Tio Jamie daqui a pouco, mas dá tempo de tirar uma soneca, com certeza. É tão bom ser homem. A garota pega quantos caras quiser, mas aí ela fica com fama de vadia. O cara só fica como o pegador. Demais.
Senti-me arrependida no minuto seguinte de ter falado do Ben. Primeiro porque pela cara do Lucas, ele pareceu não gostar muito do fato de eu ter lembrado do amigo dele justo naquele momento. Ok, vacilei. “O Ben vai entender. Ele tá todo enrolado com uma outra loirinha também.”, foi o que ele disse. Eu não sei se eu deveria me sentir melhor por isso, porque assim ele não ficaria tão chateado comigo, ou se eu deveria me sentir péssima porque, como o Luc disse, ele só quis me pegar.
De qualquer forma, aquilo não me importava mais. Não naquele momento. Eu tava ali com o Lucas, que era gato e fofo e eu não podia nem devia ficar pensando em outro garoto, muito menos um garoto que nem liga mais pra mim. Comecei a pensar na possibilidade do Lucas fazer o mesmo que o Ben e o Adam, me pegar e depois sumir. Decidi que não iria ligar e nem ia ficar caidinha por ele - por mais que isso fosse quase uma missão impossível com todo aquele charme que ele estava jogando.
Lembrei também do que li sobre o Ben no blog de confissões, sobre ele sair do armário ou algo assim. Pensei que quando Luc disse “loirinha”, poderia ser um “loirinho”, mas eu não ia mais falar disso.
- Vocês todos da gangue devem ser assim. Só querem as garotas pra pegar e fim. Né? - Ok, eu estava sendo pior do que tonta. Será que eu estou achando que o Lucas iria dizer que eu estava enganada, se ajoelhar, se declarar e me pedir em casamento? Por favor, esse lance de eu me auto-iludir está sendo automaticamente e eu nem consigo perceber. Eu devia me controlar. Então pensei rápido. - De qualquer forma, vamos esquecer isso. Vamos curtir o momento, acho que é melhor. - Sorri e me aproximei do rosto dele, o beijando e segurando em sua nuca. Apesar de estar quase convencida de que estou me apaixonando por ele, eu não queria assumir nem pra mim e muito menos pra ele, então eu tentei parecer que estava apenas tentando “curtir”.
Agora é a hora da depressão. Digo, todas as gurias começam a chorar desesperadamente ou qualquer coisa nesse sentido quando descobrem que o cara que elas estavam a fim só queria pegar e pronto. Isso se a Ana tava a fim do Ben. Não conheço muito bem a guria pra falar qualquer coisa, mas a maioria é assim. É incontável o tanto de guria que eu já tive que ficar consolando nessa vida. Ao invés da garota partir pra outra e me pegar, ficava lembrando do ex e das burradas que ele tinha feito. Ex é foda. Por isso que eu nunca vou namorar.
“Vocês todos da gangue devem ser assim. Só querem as garotas pra pegar e fim. Né?” Ó, como ela adivinhou? Todos os caras da SA, da Inglaterra, do continente, do planeta são assim. As garotas que são estúpidas o bastante pra ainda acreditarem que existe um príncipe encantado por aí. Todo namoro, casamento e o escambau é fachada. Coincide do cara curtir a mina e vice-versa, daí começa um relacionamento. É tudo uma merda de fachada.
- Nem todos. Alguns são diferentes. - Respondi, sorrindo levemente. É tão lindo como todo mundo fica se iludindo com palavras. As pessoas mentem, o mundo tem que começar a acreditar nisso pra não se ferrar.
Mas a gente tava indo bem, até. Nenhum choro pelo Ben, nada até agora. Acho que ela nem gostava dele, afinal. Tadinho. O Ben curtia ela. Mas agora tem o Brendy lá e… Argh! Não tenho nada contra ele ser gay, mas que vá pega o Brendy bem longe dos meus olhos.
“De qualquer forma, vamos esquecer isso. Vamos curtir o momento, acho que é melhor.” Opa, gostei desse ‘curtir o momento’. Ela não é tapada igual as outras. Pelo menos o tempão que eu fiquei aqui com ela não foi jogado fora. A única coisa que eu não entendi foi o papo de tímida, porque de tímida ela não tem nada. Até cantou “Call me maybe?” pro Declan. Mesmo assim, pra quê perder a oportunidade? Dessa vez segurei na sua cintura para beijá-la. Aquele negócio de cadeira e mesa tava me irritando. Uma cama é tão mais confortável. Mas eu não posso falar nada. Tá que a Ana é toda de boa, mas com certeza ela não ia gostar de eu sair a carregando pro meu quarto. Ela não é a Sofia. É melhor a gente só ficar aqui no beijo, e quem sabe depois a gente parte pra fase mais legal.
Era meio engraçado andar juntinho a três. Povo ia pensar que a gente tava dividindo a mina. A gente foi até um barzinho maneiro que Lucas e eu conhecemos há um tempo. Eles são bem tranquilos por lá, não rola muita confusão e a galera tem umas paradinhas da boa pra ajudar a gente a ficar alto.
Lucas pediu heineken pra começar, pra ele e pra Amy. Acho que meu fígado já devia ter criado algum tipo de defesa a álcool porque eu não caía fácil. Ele perguntou o que eu ia pedir e eu só fiz rir. - Quero uma vodka, daquelas, sabe… temperadinhas. - pisquei, pro garçom sacar o que eu tava querendo. Depois que ele saiu, a gente sentou numa das mesas. Tava rolando umas músicas, mas ainda era cedo pra ir pra pista. Aproveitamos pra ficar de papo furado por lá enquanto a bebida chegava.
O garçom me passou as paradas meio escondido. Ele era o único lá que vendia aquilo pra gente, por isso sempre tinha que tomar cuidado na hora de passar pra nossa mão. Quando ele saiu, abri a mão no meio da mesa. - Uma pra cada. Vai tomar uma hoje, Luc?
Não tomei logo. Só bebi mesmo um pouco da vodka. - E aí, Amy. Tu não tem namorado, tem?
Um cara nojento ficou me paquerando e eu fiz uma careta, virando o rosto e fingindo não ver. Lucas e Adam pediram as bebidas e eu apenas aguardei. Eu ainda tava meio chapada, verdade, mas dava pra entender a conversa direitinho. Não entendi de primeira o lance da vodka temperada que o Adam falou, mas quando o garçom voltou com os pedidos eu captei a ideia.
O loiro abriu a mão com as capsulas e eu olhei nervosamente ao redor. Não devia ser completamente legal (nos termos de legalidade, quero dizer) ficar exibindo capsulas de ecstasy, mesmo num ambiente fechado onde você comprou. Peguei uma rapidinho e fechei na mão, orientando-o a fazer o mesmo. - Não fica exibindo isso!
Peguei a heineken que Lucas pediu pra mim e tomei um gole, mas não coloquei a capsula na boca. Adam perguntou sobre eu ter namorado e eu só ergui a sobrancelha, rindo em seguida. - Não tenho namorado. E nem acho que vá ter um tão cedo. Namoro não faz bem à saúde.
Tomei um baita gole da heineken assim que ela chegou. Ow, que saudade de bebida. Da última vez que eu vim em Londres com a Sofia, não foi tão divertido quanto eu imaginava ser. Ela deu a louca e eu não entendi nada. Enfim, essa noite prometia, ainda mais com as paradinhas que o Adam arranjou. Tô falando, esse cara passa droga. E as gurias do colégio ainda acham lindo. Mas também né, se não fosse isso, o Adam nunca ia conseguir chamar atenção de alguma garota. O cabelo descolorido chama bastante a atenção, mas só de uma maneira extremamente idiota.
- Lógico! - Respondi a pergunta do Adam, pegando uma das cápsulas. Londres sem ecstasy não é Londres. Tomei mais alguns goles da heineken, até acabar. Eu precisava ficar bem louco antes de apelar pra capsula. - Ih, Amy, fica sussa. Tu tá entre amigos aqui. - Ela xingou o Adam pra não ficar exibindo o coiso. De vez em quando baixa uns caras doidos aqui e confisca todo mundo, mas tinha um tempão que isso não acontecia. Acho que chega uma hora que eles veem que não tem jeito, pode fazer o que quiser que o trafego de drogas vai continuar a mesma coisa.
- Hahaha, Amy é brother mesmo. - Falei depois dela ter dito que namoro não faz bem à saúde. Dei uma olhada pro Adam. Se não fosse hoje, não vai ser nunca. Cara, a mina é perfeita pra ele. Não é daquelas que encosta em tu querendo casar só porque a gente ficou. Odeio mina assim. - Vai outra? - Apontei pra heineken, indicando. Já era a terceira, eu acho. Daqui a pouco vai o ecstasy e a gente migra pra baladinha.
Enquanto esperei os tortuosos minutos antes dele responder, fiquei cutucando as unhas. Coisa que faço sempre que estou nervosa. Ele deu ideia de irmos a alguma balada ou fazermos algo por ali. Isso era um bom sinal. Sinal de que ele também está afim de, pelo menos, curtir minha companhia. Passar o tempo com ele me distraía, me fazia bem, me fazia sentir bonita e especial pela forma como ele me olhava e me tratava. No fundo, sei que ele deve fazer isso com todas, mas é mais fácil acreditar que é só comigo. Realidade machuca.
Sorri pra ele segundos antes dele se aproximar e me beijar. Demorei uns três segundos pra fechar os olhos e curtir o beijo, pelo fato da ficha ter demorado a cair. Fala sério, um dos caras mais gatos e populares da S.A tinha me beijado. E o beijo dele? Meu Deus, era incrível! Era diferente, lento, carinhoso. Sentia suas carícias em meus cabelos e minha nuca - meu ponto fraco - e ficava cada vez mais encantada com o beijo dele.
Ele não parava de me impressionar desde o começo. Eu pensei que por ser um dos populares, ele seria metido, arrogante e essas coisas, mas ele era o oposto disso. Pelo menos ali, comigo, e era o que me importava. Ele segurou em minha mão e eu sorria feito uma tola. Segui o conselho dele mesmo e parei de me preocupar com o que os outros ou ele mesmo iriam pensar de mim. Se eu me apaixonava rápido, se era carente, se era safada, se era atirada, entre outras palavras, com certeza piores, que eles falariam.
- Acho que eu não esperava por isso. - Consegui dizer, enfim. Sorri e olhei pro Luc, esperando que ele retribuísse o sorriso, porque eu amava o sorriso dele.
Antes mesmo de poder ver isso, lembrei de Ben. Eu havia ficado com um dos melhores amigos dele há poucos dias, e o que aconteceu não era certo. Tudo bem que, pelo que eu li no blog de confissões, ele está cheio de enrolação com um tal de Brendon e ainda tem outra garota além de mim, então acho que ele já tem problemas e pessoas demais para lembrar de mim e se preocupar comigo. De qualquer forma, eu não queria deixar nada mal entre eles e também não queria que algum deles ficasse mal comigo. O problema era que eu não sabia se aquele era um bom momento para falar daquilo. - E o Ben? - Não adianta, eu sempre falo antes de pensar mesmo.
O cabelo dela é tão loiro, parece bem com o da Bel. É idêntico ao da Bel, na verdade. Mas acho que as semelhanças paravam por aí. Ela é toda tímida - pelo menos na teoria - enquanto a Annabel é toda saidinha, em todos os sentidos possíveis da palavra. A Bel já dormiu comigo, e, deixa eu ver… Quem eu estou querendo enganar? A Annabel é bem mais gostosa. Isso não quer dizer que a Ana não seja, mas a Bel chega a ser anormal. A Ana dá pro gasto. Como diria o Adam, ela é gatinha. E beija bem, ô se bem. Tem algumas garotas que tu tem quase que dar aula pra ela, parece que não sabe usar a língua. Como será que elas comem? Tem que saber usar a língua, mano.
“Acho que eu não esperava por isso.” Sorri quando finalmente ela falou, e a tensão baixou um pouquinho. Como eu imaginei, ela gostou. Fala sério, ninguém resiste a mim. Pelo menos ninguém que tenha nascido. O resto a gente vê depois, mas provavelmente vai ser a mesma coisa. O que eu posso fazer? Sou assim, cativante. Deve ser por isso que o Declan quer, mas nunca chega aos meus pés e aos dos meus brothers. Finalmente tirei a mão do rosto dela, que tava lá desde o beijo. Que lerdo.
“E o Ben?” Por que eu já previa isso? As garotas sempre pensam nos outros guris que já pegaram nessas horas. Deve ser que nem cena de morte, a sua vida passa diante dos seus olhos. Mas nesse caso, os seus peguetes que passam diante dos seus olhos. Tá bom que o Ben não é qualquer um, e vai dar a maior confusão depois, mas tinha que atrapalhar o momento justo agora que a gente ia passar pra fase mais legal? Porra.
- O Ben vai entender. Ele tá todo enrolado com uma outra loirinha também. - Disse, como se fosse a coisa mais óbvia do mundo. E era óbvio, pelo menos pra mim e pra galera. A gente sempre tá enrolado com mais de uma. Menos o Adam, que nunca tá enrolado com nada a não ser o cobertor.
- Desculpa. Acho que ele só queria te pegar. - Fiz a melhor cara de reconfortante que consegui. A clássica frase do “ele só queria te pegar”. As meninas tem que cair na real, as intenções do cara 90% das vezes vão ser essas mesmo. E eu sou bobo? Essa é a razão da vida, aproveitar as gurias.
Eu acho que nem eu tava com a carteira falsa. Sei lá. Não lembro nem como foi que eu cheguei em Londres. Acho que vim com o Matt, ou foi o Kurt? Sei lá, velho. Sei que cheguei vivo e pronto. E a gente conhecia uns carinhas de outros points, não ia ser difícil entrar só com a cara e o dinheiro no bolso. Amy tava em ótima companhia.
- Boa, Luc! Aí, AMY, - dei destaque ao nome, já que ela não curtiu muito eu a chamando de gatinha. - Tá dentro? Relaxa que a gente não deixa nenhum cueca mexer contigo por lá. - garanti. Até parece. Se um grandalhão que nem o da última vez aparecesse eu no máximo ia puxar a Amy pelo braço e sair correndo. - Né Lucas?
Pisei forte na ponta do skate e peguei com a mão. Passei o braço pelo ombro da Amy e a fiz andar comigo. Eu era todo tenso com esse lance de querer ficar com uma menina. Sempre acontecia do Ben pegar ela meia hora depois. E ainda corria o risco de ela me dar o fora, porque eu tenho consciência de que sou um prego no quesito chegar junto da mina.
- A gente devia ir naquele bar que tem uns shots extras com umas pílulas coloridinhas. Última vez que fui lá eu acho que vi o céu.
Ri baixinho quando Adam falou em me proteger. Até parece. Ele com essa cara de quem nunca entrou numa briga pra bater de verdade… Mas vai saber. Ele não parecia estar brincando. Lucas e ele garantiram que ia ser moleza entrar no bar. Eu não tinha nada a perder, tinha? E eles não pareciam ter intenções malignas. Ok, eles me deram maconha e agora me levariam pra um bar. Acho que isso não é bem algo de bons garotos, mas eu já tinha vindo até aqui mesmo…
- Ok, vamos nessa. Mas eu não sou muito forte pra bebida. Se eu cair vocês vão ter que me carregar de volta pra escola! Lucas esse seu Skate tem umas cores maneiras… parecem vivas…
Eu não devia estar falando coisa com coisa. Ouvi por alto o Adam comentar sobre shots extras e pílulas coloridas. Ele tava falando de ecstasy? Acho que se eu misturasse mais qualquer coisa com o que eu fumei eu ia começar a acredita que podia mesmo voar.
Larguei o Skate e segui quase arrastada pelo Adam que mantinha o braço no meu ombro. Ofereci a mão pro Lucas e acenei com a cabeça, para que ele pegasse. Não tava afim de me perder deles e pelo jeito que eu estava alta, e eles também, não podia arriscar.
Tem una botecos muito maneiros em Londres. Numa primeira vez, tu fica totalmente perdido e se perguntando “O que eu tô fazendo aqui?” mas depois de um tempo você vira de casa, e tudo é festa. Saquei na hora qual que era o do shots extras e as pílulas coloridas. Podia contar nos dedos de uma só mão quantos bares aqui liberam coisas mais fortes assim. A noite vai ser boa, mesmo.
- Não é? As cores são engraçadas, elas se misturam. - Dei mais uma olhada no skate, o admirando. Pelo menos não sou o único que tá com altas brisas no skate. Peguei o extra da Amy e mandei de volta lá pros caras, que nem devem ter visto, com certeza estão mais loucos que a gente.
O lugar era o DK9. Não ficava muito longe da pista, e a gente chegou rapidinho. A gente parecia um casal de três pessoas, na moral. Adam com o braço no ombro da Amy, e eu de mão dada com ela. Pff. Tô longe de arrumar casalzinho. O DK9 é bem louco, nem parece um bar, é um ambiente fechado com umas luzes diferentes. Tinha um bom tempo que a gente não ia ali, mas o carinha logo nos reconheceu e deixou a Amy entrar com a gente. Ele a olhou de um modo estranho. É nojento esses caras mais velhos olhando pras mais novas.
- Uma heineken. Não, duas, pra Amy também. Tu vai querer o negócio forte de uma vez, Adam? - Não gosto de começar pelo forte. Na maioria das vezes eu começo a passar mal depois porque a minha barriga tava vazia.
Eu tô falando sério, seus otários. E que história é essa de eu me pegar com o McGregor? Eu sou espada e sempre fui. Peguei duas minas ao mesmo tempo. Cês tão de gozação comigo né? Qual é… sou eu, o Ben de sempre.
Ow, Ben, sossega que tu não precisa ficar provando nada pra mim não. Tô nem aí pro que tu faz no aconchego do seu quarto. Se pegar mulher fosse sinal de macheza, então sou mais gay que o McGregor, porque até ele já faturou umas minas por aqui, que eu sei. Ow, Lucas vai pegar a Ana também? WTF eu jurava que ela era uma santa!
Hahahaha, já peguei! Agora vai ser a outra loira, Alice. E é, Ben, o mais normal hoje em dia é o ser Bi, já reparou? Menos eu, credo! Mas ó, pode ficar de pegação com o McGregor que a gente não liga não, mas na minha frente é sacanagem. Tu não vai sofrer bullying, sossega.
Antagonista é você sua Anta. A única coisa que eu tenho que explicar é que é tudo mentira. Tudo. Aquela garota chantageou o McGregor de alguma forma pra ele fazer aquilo.
Leva a mal não, Ben… mas mentira seria eu dizer que tô noivo da professora Hadley. Que tu e o McGregor dão uns pega por aí até eu sabia antes da Lilah. Que outra razão ele ia ter pra livrar tua cara do diretor quando tu quase arrancou o olho dele? Medo de tu é que não, que ele vivia te zoando.
Era só isso a novidade? Ah, pensei que era algo mais importante. Tô nem aí não, mais mulher pra mim.
Nunca pensei que eu falaria isso… Mas concordo com o Adam. Foi meio estranho ele livrar tua cara mesmo. Ele é todo saidinho, capaz até de arrumar alguém pra te bater, ou até ele mesmo te bater de volta. Velho, mas e a Ana e a Alice? É Alice? Sei lá. Elas tão livres pra mim agora?
likeadekker said: SAI DE MIM!
adam-p said: ECA, ECA, ECA. Prefiro lamber tapete!
Seus pultos, dá pra parar de me tratar diferente? Aquela matéria da Delilah é mentira. Tudo mentira…
Deixa de ser complexado, seu tosco. Eu nem entendi nada daquela matéria! Se quiser me explicar até agradeço, aliás. Tô até agora querendo saber o que é antagonista.
Heeeeeein? Aliás, boa hora pra você explicar, Ben. É verdade aquela merda toda? Você e o Brendy. Argh.